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Ep. 66 - Da Arte da Elipse

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Victor Hugo citations L'homme a l'amour pour aile, et pour joug le besoin. (Victor Hugo - Les contemplations, Ce que dit la bouche d'ombre) L'homme n'est pas un cercle à un seul centre; c'est une ellipse à deux foyers. Les faits sont l'un, les idées sont l'autre. (Victor Hugo, Les Misérables, vol. III) L'humanité a deux pôles, le vrai et le beau; elle sera régie, dans l'un par l'exact, dans l'autre par l'idéal. (Victor Hugo, Actes et Paroles, vol. I)

*** Vítor Hugo citações tradução Fabio Malavoglia O homem tem o amor por asa, e por jugo a necessidade. (Vítor Hugo - As contemplações, O que diz a boca da sombra) O homem não é um círculo com um só centro; é uma elipse com dois focos. Os fatos são um; as ideias são o outro. (Vítor Hugo, Os Miseráveis, vol. III) A humanidade tem dois polos, a verdade e a beleza; ela será regida, no primeiro pela exatidão, no outro pelo ideal. (Vítor Hugo, Atos e Palavras, vol. I) ..............................................................


Fabio Malavoglia Moda Homem Nós, das gravatas, sabemos já do que é que toda a via é tecida, em cujo alto te aguarda o laço por onde é certo irás passar. Por isso os pomos num desaperto não displicente mas casual: passo fatal que só desata quando diante da fé exata de quem galante até o final. .............................................................. Alfredo Oriani A Campanha da Rússia tradução de Fabio Malavoglia Irrompe a incrível guerra entre Rússia e França, quase sem motivo; de um lado Napoleão, trigueiro comandante do Ocidente, do outro Alexandre, cândido e místico, com todo o Oriente ainda separado da história da Europa. A liberdade, na balança da tirania militar de um e do despotismo hierático do outro, se esgarça. A guerra prepara para a história batalhas onde exércitos inteiros vão desaparecer sem deixar traços, incêndios de cidades vastos o bastante para iluminar um reino, massacres que a neve irá subtrair com seu branco mistério ao cômputo horrorizado da estatística.

Napoleão avança com seiscentos e cinquenta mil soldados, quinhentos generais, cento e dez ajudantes; polacos, prussianos, austríacos, alemães, espanhóis, portugueses, suíços, italianos, marcham desconhecidos uns dos outros e fixos nos seus estandartes: oitenta mil cavalos troam como um turbilhão ao redor deles. Um capacho de rei espera em tímido silêncio as ordens do imperador.

A Rússia aguarda intrepidamente o grande choque. Seus soldados superam o milhão. A Inglaterra lhe abisma tesouros, a Suécia atende um sinal de Bernadotte, seu novo rei e antigo general de Napoleão, para descer terrível na batalha; Dumoriez, o implacável traidor, sugere o plano da nova campanha contra a França; Moreau acorre da América para executá-lo. Longe, em todos os confins do imenso império, se adensam hordas de armados que chegarão talvez com a guerra acabada. Os cossacos se concentram e voam sobre as estepes com o ímpeto das tormentas, as populações debandam das cidades, o silêncio da solidão cerca assustador a marcha dos invasores.

Napoleão avança (1812) de Varsóvia para Moscou, mas lentamente, por campos desertos e cidades vazias, atrás de um inimigo invisível que o atrai retirando-se e o engana com os cossacos, obscurece seu já incerto conhecimento do terreno, tira proveito de toda a sua experiência. Em vão os generais aconselham invernar em Vitebsk; Moscou distante fascina Napoleão como uma miragem; Smolensk sucumbe à invasão, mas vinga a própria rendição, incendiando-se. Cem mil do grande exército já pereceram, os demais sofrem a fome. Kotusoff, supremo defensor da cidade santa, batido no campo de Borondino, é forçado a retirar-se, e Napoleão entra vitorioso na inviolável fortaleza dos czars. Mas a mesma coragem que tinha incendiado ao longo da marcha dos franceses cada aldeia, queima Moscou; o maior incêndio da história ilumina a mais breve de suas conquistas. Os russos, já pedintes da paz em Smolensk, a recusam em Moscou; a retirada é inevitável e impossível. As tropas cinco vezes dizimadas retomam o caminho de Paris, longínqua como um sonho; mas a Rússia insta feroz e inumerável de todos os cantos; em Malo-Jaroslavetz os italianos salvam o passo do grande exército; a confusão do terror penetra nas fileiras esfrangalhadas dos seus batalhões, que não encontram mais nem generais nem bandeiras, não tem mais nem armas nem víveres, desconhecem as estradas e não se entendem uns aos outros, não sabem ainda o porquê da primeira vitória e não entenderão jamais a razão dessa suprema derrota. Depois a neve branca fria incessante ofuscante confunde céu e terra, cobre cavalos canhões estradas fossos rios aldeias cidades descampados; apaga patentes, gela armas mãos olhos palavras corações pensamentos. O exército não é mais que uma horda; a Rússia não é mais que uma tempestade; a loucura da morte sibila entre o silêncio da neve que cresce sob os pés e sobre as costas, abatendo os vivos e sepultando os mortos. Os cossacos turbilhonam, deixam atrás algumas manchas de sangue que a neve esconde profundamente, e desaparecem na brancura.

Somente Napoleão, pálido, mais terrível que aquele furacão, mais frio que aquele gelo, maior que aquele silêncio, caminha à frente de todos, pensando ainda. Sua guarda, compacta às suas costas, parece um cortejo de sombras atrás de um fantasma.

O seu XXIXº boletim à Europa termina com esta frase, quase ininteligível na sublimidade do próprio orgulho: “A saúde de Sua Majestade nunca esteve melhor”.

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