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  • Foto do escritorFábio Malavoglia

Ep. 63 - Em prol do Sol

Textos do Episódio

................................................................... Sophia de Mello Breyner Andresen Evohé Bakkhos Evohé deus que nos deste

A vida e o vinho

E nele os homens encontraram

O sabor do sol e da resina

E uma consciência múltipla e divina. ......................................................................

Leopoldo Lugones El martím pescador Sobre el remanso azul, agudo acecha

Desde un lánguido gajo del sauzal,

En inminente inclinación de flecha,

La lentitud profunda del caudal.


Oro de sol en la corriente boya...

Y destellando un súbito arrebol,

Identifica el pájaro en su joya,

Sauce verde, agua azul, y oro de sol... *** Leopoldo Lugones

O martim-pescador

tradução Fabio Malavoglia

Sobre o remanso azul, agudo espreita

De um lânguido galho de salgueiro,

Na iminência de uma flecha estreita,

A lentidão profunda do ribeiro.


Ouro de sol pela corrente boia...

E faiscando em luz seu cachecol,

Identifica ao pássaro em sua joia,

Verde salgueiro, água azul, ouro de sol...

......................................................................


Emily Dickinson 1233 (Had I not seen the Sun) Had I not seen the Sun

I could have borne the shade

But Light a newer Wilderness

My Wilderness has made — ***

Emily Dickinson 1233 (Se não tivesse visto o Sol) tradução Fabio Malavoglia

Se não tivesse visto o Sol

a sombra aguentaria melhor

mas a Luz qual nova Solidão

a minha Solidão tornou pior — ...................................................................... Salvatore Quasimodo Ed è súbito sera Ognuno sta solo sul cuor della terra, trafitto da um raggio di sole: ed è súbito sera. ***

Salvatore Quasimodo E de súbito é noite tradução Fabio Malavoglia

Cada um está só sobre o peito da terra,

crivado num raio de sol:

e de súbito é noite. ...................................................................... Langston Hughes Our land We should have a land of sun,

Of gorgeous sun,

And a land of fragrant water

Where the twilight is a soft bandanna handkerchief

Of rose and gold,

And not this land

Where life is cold.


We should have a land of trees,

Of tall thick trees,

Bowed down with chattering parrots

Brilliant as the day,

And not this land where birds are gray.


Ah, we should have a land of joy,

Of love and joy and wine and song,

And not this land where joy is wrong. ***

Langston Hughes A nossa terra tradução Fabio Malavoglia

Nos deviam terras de sol

prodigiosas pelo sol

e uma terra d’agua fragrante

onde o ocaso fosse a seda mais suave de um lenço

d’ouro e rosa

e não tal terra

onde a vida é fria maldosa


Nos deviam terras de matas

de altas densas matas

grávidas da conversa das araras

a luzir do dia em medalha

não tal terra onde as aves são grisalhas


Ah, nos deviam terras de riso

de amor e riso e vinho e canto

Não a terra onde o riso causa espanto. ...................................................................... Renata Pallottini Chocolate Amago (trecho) ...Aí estás, país do grande sol,

Dos animais gigantes e das árvores sagradas

Terra da cachoeira de diamantes e

Do ouro sangrado. ...................................................................... Walt Whitman To a Common Prostitute (fragment)


Be composed – be at ease with me – I am Walt

Whitman, liberal and lusty as Nature,

Not till the sun excludes you, do I exclude you,

Not till the waters refuse to glisten for you, and the

leaves to rustle for you, do my words refuse to

glisten and rustle for you. *** Walt Whitman A uma prostituta vulgar (trecho) Tranqüiliza-te,

fica à vontade comigo.

Eu sou Walt Whitman, generoso e pletórico como a Natureza.

Enquanto o Sol não te excluir,

eu não te excluirei.

Enquanto as águas não se recusarem a cintilar para ti,

e as folhas a vibrar para ti,

as minhas palavras não se recusarão

a brilhar e a soar para ti. ...................................................................... Ezra Pound Cino (Italian Campagna 1309, the open road) "Bah! I have sung women in three cities,

But it is all the same;

And I will sing of the sun.


Lips, words, and you snare them,

Dreams, words, and they are as jewels,

Strange spells of old deity,

Ravens, nights, allurement:

And they are not;

Having become the souls of song.


Eyes, dreams, lips, and the night goes.

Being upon the road once more,

They are not.

Forgetful in their towers of our tuneing

Once for wind-runeing

They dream us-toward and

Sighing, say, "Would Cino,

"Passionate Cino, of the wrinkling eyes,

"Gay Cino, of quick laughter,

"Cino, of the dare, the jibe.

"Frail Cino, strongest of his tribe

"That tramp old ways beneath the sun-light,

"Would Cino of the Luth were here!


Once, twice a year—-

Vaguely thus word they:

"Cino?" "Oh, eh, Cino Polnesi

"The singer is't you mean?"

"Ah yes, passed once our way,

"A saucy fellow, but . . .

"(Oh they are all one these vagabonds),

"Peste! 'tis his own songs?

"Or some other's that he sings?

"But you, My Lord, how with your city?"


My you "My Lord," God's pity!

And all I knew were out, My Lord, you

Were Lack-land Cino, e'en as I am,

O Sinistro.


I have sung women in three cities.

But it is all one.

I will sing of the sun.

. . . eh? . . . they mostly had grey eyes,

But it is all one, I will sing of the sun.


"'Pollo Phoibee, old tin pan, you

Glory to Zeus' aegis-day,

Shield o' steel-blue, th' heaven o'er us

Hath for boss thy lustre gay!


"'Pollo Phoibee, to our way-fare

Make thy laugh our wander-lied;

Bid thy 'flugence bear away care.

Cloud and rain-tears pass they fleet!


Seeking e'er the new-laid rast-way

To the gardens of the sun . . .


* * *

I have sung women in three cities

But it is all one.


I will sing of the white birds

In the blue waters of heaven,

The clouds that are spray to its sea. ***

Ezra Pound Cino (Campanha Italiana, 1309, em plena estrada) tradução Mário Faustino Arre! Já celebrei mulheres em três cidades,

Mas é tudo a mesma coisa;

E cantarei do sol.


Lábios, palavras, e lhes armamos armadilhas,

Sonhos, palavras, e são como jóias,

Estranhos bruxedos de velha divindade,

Corvos, noites, carícia:

E eis que não o são;

Já se tornaram almas de canção.


Olhos, sonhos, lábios, e a noite vai-se.

Em plena estrada, uma vez mais,

Elas não são.

Esquecidas, em suas torres, de nossa toada,

Uma vez por causa do vento, da revoada

Sonham rumo de nós e

Suspirando dizem, "Ah, se Cino,

Apaixonado Cino, o de olhos enrugados,

Alegre Cino, de riso rápido.

Cino ousado, Cino zombeteiro,

Frágil Cino, o mais forte de seu clã bandoleiro

Que bate as velhas vias sob o sol,

Se Cino do alaúde aqui voltasse!"


Uma vez, duas vezes, um ano -

E vagamente assim se exprimem:

"Cino ?" "Oh, eh, Cino Polnesi

O cantor, não é dele que se trata ?"

"Ah, sim, passou uma vez por aqui,

Sujeito atrevido, mas...

(São todos a mesma coisa, esses vagabundos)

Peste! As canções eram dele ?

Ou cantava as dos outros ?

Mas e o senhor, Meu Senhor, como vai sua cidade?"


Mas e o senhor, "Meu Senhor", bá! por piedade!

E todos os que eu conhecia estavam fora, Meu Senhor, e tu

Eras Cino-Sem-Terra, tal como eu sou,

O Sinistro.


Já celebrei mulheres em três cidades.

Mas é tudo a mesma coisa.

E cantarei do sol.

...eh?... a maioria delas tinha olhos cinzentos,

Mas é tudo a mesma coisa, e cantarei do sol.


"Pollo Phoibeu, panela velha, tu,

Glória da égide do Zeus do dia,

Escudo d'azul aço, o céu lá em cima

Tem por chefe tua rútila alegria!


Pollo Phoibeu, ao longo do caminho,

Faze do teu riso nossa chanson;

Que teu fulgor ofusque nossa dor,

E que o choro da chuva tombe sem som!


Buscando sempre o rastro recente

Rumo aos jardins do sol...


* * *

Já celebrei mulheres em três cidades

Mas é tudo a mesma coisa.


E cantarei das aves alvas

Nas águas azuis do céu,

As nuvens, o borrifo de seu mar. ...................................................................... Helena Kolody Sempre Madrugada

Para quem viaja

ao encontro do Sol,

é sempre madrugada. ...................................................................... Helena Kolody Dom

Deus dá a todos uma estrela.

Uns fazem da estrela um sol.

Outros nem conseguem vê-la. ......................................................................


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