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Episódio 43

Episódio 43 A RESPEITO DE VEÚS

Textos do Episódio

 

Rubai 32 Omar Khayyam / Edward FitzGerald There was a Door to which I found no Key: There was a Veil past which I could not see: Some little Talk awhile of ME and THEE There seem'd - and then no more of THEE and ME.


***

Rubai 32 Omar Khayyam / Edward FitzGerald tradução de Fabio Malavoglia Havia uma Porta da qual não achei a Chave afim: Havia um Véu além do qual eu nada via enfim: E fracas Vozes por algum tempo de Mim, de TI lá pareciam – e então não mais de Ti ou de MIM

 

Rubai 69 Omar Khayyam / Edward FitzGerald When You and I behind the Veil are past,

Oh, but the long, long while the World shall last,

Which of our Coming and Departure heeds As the Sea’s self should heed a pebble-cast *** Rubai 69 Omar Khayyam / Edward FitzGerald tradução de Fabio Malavoglia

Depois que Tu e Eu passarmos para além do Véu Por longo, longo tempo, seguirão a Terra e o C éu Aos quais nossa Chegada e Partida importarão Como importa ao Mar um seixo arremessado ao léu

 

Inscrição no frontão do templo de Palas Atena (ou Ísis) em Saís, no delta do Rio Nilo Sou tudo o que foi, tudo o que é e tudo que será, e nenhum mortal jamais levantou o meu véu. O fruto que gerei foi o Sol.



 

Cazuza (Agenor de Miranda Araújo Neto) Solidão que nada (letra da canção) versos iniciais Cada aeroporto É um nome num papel Um novo rosto Atrás do mesmo véu...

 

Fernando Pessoa Leves véus velam, nuvens vãs, a Lua. Leves véus velam, nuvens vãs, a Lua.

Crepúsculo na noite..., e é triste ver,

Em vez da límpida amplitude nua

Do céu, a noite e o céu a escurecer....

 

Oscar Wilde The True Knowledge


Thou knowest all; I seek in vain

What lands to till or sow with seed -

The land is black with briar and weed,

Nor cares for falling tears or rain.


Thou knowest all; I sit and wait

With blinded eyes and hands that fail,

Till the last lifting of the veil

And the first opening of the gate.


Thou knowest all; I cannot see.

I trust I shall not live in vain,

I know that we shall meet again

In some divine eternity. ***

Oscar Wilde O Verdadeiro Saber tradução de Fabio Malavoglia


Tu sabes tudo; eu busco em vão

terra a lavrar, solo à semente -

daninha erva e o chão doente

por choro ou chuva não se abrirão.


Tu sabes tudo, sento no umbral

com olho cego, as mãos ao léu,

até a final queda do véu

e a hora enfim que abre o portal.


Tu sabes tudo, não vejo nada,

oro por não viver em vão,

e sei que nós n’outra ocasião

nos acharemos na eterna estrada.



 

Percy Bysshe Shelley from "A Defence of Poetry and Other Essays" “Poetry lifts the veil from the hidden beauty of the world, and makes familiar objects be as if they were not familiar.”

*** Percy Bysshe Shelley de "Uma Defesa da Poesia e Outros Ensaios" tradução de Fabio Malavoglia “A poesia ergue o véu da oculta beleza do mundo e muda objetos familiares como se familiares não fossem”.

 

A Visita da Verdade conto de Malba Tahan Conta-se (mas Alá é o Mais Sábio) que a Verdade quis um dia visitar o palácio de do califa Harum Al-Raschid. E como a Verdade é nua (segundo o dito popular), foi assim que ela se apresentou nos portões do castelo. Os guardas, ao verem aquela mulher desnuda, foram perguntar quem era e souberam que se tratava da Verdade, e que queria visitar o palácio. Os guardas concluíram que aquela decisão ultrapassava suas alçadas. Assim, foram consultar o Chefe da Guarda, que, por sua vez resolveu consultar o Vizir, que enfim consultou o próprio Califa. Este, ao ouvir o pedido, quase teve um ataque:

- O que? A Verdade? Quer entrar aqui dentro? Você está louco? Quer acabar com meu reino? Mandem-na embora imediatamente!

E assim, a Verdade foi informada que não poderia entrar ali e teve de ir embora. Mas apesar de expulsa, ela ainda queria conhecer a casa do rei. Então resolveu se disfarçar. Cobriu-se com uma pele rude de animal, sujou o rosto com fuligem e cinzas, desgrenhou os cabelos, tomou de um feio cajado e andando como uma velha horrenda, se apresentou na porta do castelo. Os guardas, ao verem aquele ser desgrenhado, foram perguntar quem era e ela lhes disse que era a Acusação, e queria visitar o palácio.

Os guardas concluíram que aquela decisão ultrapassava suas alçadas. Assim, foram consultar o Chefe da Guarda, que por sua vez resolveu consultar o Vizir, que enfim consultou o próprio Califa. Este, ao ouvir o pedido, mal conseguiu conter a raiva:

- O que? A Acusação? Aqui dentro? Você por acaso bebeu? Quer que terminemos todos num tribunal, ou na cadeia? Mandem essa mulher embora imediatamente!

E assim, a Verdade, vestida de Acusação, foi informada que não poderia entrar e teve de ir embora. Mas apesar de expulsa pela segunda vez, ela ainda queria visitar a casa do rei. Então pensou num novo disfarce. Colocou um vestido magnífico, cobriu-se de pérolas e pedras preciosas, encimou cabelos com uma inultrapassável coroa, colocou sobre o rosto um deslumbrante véu e, assim trajada, apresentou-se à porta do palácio.

Os guardas, ao verem aquela dama de nobre aparência, foram perguntar quem era e o que queria e ela lhes disse que era a Fábula, e queria visitar o palácio. Os guardas concluíram que aquela decisão ultrapassava suas alçadas. Assim, foram consultar o Chefe da Guarda, que por sua vez resolveu consultar o Vizir, que enfim consultou o próprio Califa. Este, ao ouvir o pedido, ficou extasiado:

- O que? A Fábula? Aqui? Que maravilha! Mandem tocar as trombetas! Recebam-na com todas as honras!

E foi assim que a Verdade, sob o véu da Fábula, conseguiu entrar no palácio de tão poderoso monarca.

 

O Fogo que derrete o Véu Jalal ud-Din Rumi tradução de José Jorge de Carvalho * original em árabe não disponível Atenta para as sutilezas

que não se dão em palavras.

Compreende o que não se deixa

capturar pelo entendimento.


Dentro do coração empedernido do homem

arde o fogo que derrete o véu de cima abaixo.

Desfeito o véu,

o coração descobre as histórias do Kidr

e todo o saber que vem de nós.


A antiga história de amor

entre a alma e o coração

regressa sempre

em vestes renovadas.


Ao recitares “sol”

contempla o sol.

Sempre que recitares “não sou”,

contempla a fonte do que és.

 


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