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  • Foto do escritorFábio Malavoglia

Episódio 36

DE VOLTA ÀS POÉTICAS PÚBLICAS Textos do Episódio



 

Aristóteles Da Geração dos Animais (350 A.C.) – citação Pessoas em buracos e poços às vezes veem as estrelas...

 

Helena Kolody

Dom Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros nem conseguem vê-la.

 

Hans Van Kasteel Introdução à Mitologia – nota O discurso em defesa de Arquías é um dos mais notáveis que Cícero jamais pronunciou. O poeta Arquías está ameaçado de expulsão, por não ter cumprido as formalidades que permitem aos estrangeiros adquirir o direito de cidadania romana, é um “sem papéis” da antiga Roma. Cícero consegue salvar a seu cliente, baseando-se quase exclusivamente no argumento segundo o qual o poeta “está inspirado por um sopro divino”, e que os poetas são “homens santos, porque nos foram confiados, ao que parece, como um dom, um presente que provém dos deuses” (Por Arquías, 18). Hoje em dia tal apologia seria impensável; os tempos bárbaros já não o permitem. Na antiguidade, o processo de Arquías não era uma exceção. Em Atenas, o poeta Sófocles ganhou um processo, unicamente por citar diante de seus juízes um extrato de sua última tragédia, cujo conteúdo não tinha nada a ver com o litígio. Tudo isso supõe uma sociedade na qual a elite dirigente é, ao mesmo tempo, uma elite letrada.

 

Carlos Drummond de Andrade

Procura da Poesia (fragmento) Penetra surdamente no reino das palavras Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, Há calma e frescura na superfície intata. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e se consuma Com seu poder de palavra E seu poder de silêncio.


 

Sophia de Melo Breyner Andresen Em Todos os Jardins


Em todos os jardins hei-de florir, Em todos beberei a lua cheia, Quando enfim no meu fim eu possuir Todas as praias onde o mar ondeia. Um dia serei eu o mar e a areia, A tudo quanto existe me hei-de unir, E o meu sangue arrasta em cada veia Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo Todo o fogo que habita na floresta Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens, A secreta abundância dessa festa Que eu via prometida nas imagens...



 

Oscar Wilde Impressions – Le Jardin


The lily's withered chalice falls

Around its rod of dusty gold,

And from the beech trees on the wold

The last wood pigeon coos and calls.


The gaudy leonine sunflower

Hangs black and barren on its stalk,

And down the windy garden-walk

The dead leaves scatter, — hour by hour.


Pale privet-petals white as milk

Are blown into a snowy mass:

The roses lie upon the grass

Like little shreds of crimson silk.

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Oscar Wilde Impressions – Le Jardin (título francês no original) tradução de Fabio Malavoglia Despenca o cálice do lírio ressecado, poeirento ouro pelo talo se derrama, última pomba da mata arrulha e chama longe nas faias do campo desolado.


O leonino girassol vistoso outrora pende árido e negro sem alento, e nas aléias do jardim o vento folhas mortas espalha - hora a hora.

Leitosas pétalas de alfeneiro enfim na neve pousam numa branca pasta, e sobre a grama as rosas jazem gastas em breves tiras de seda carmim.


 

Caetano Veloso Ele me Deu um Beijo na Boca (fragmento) E ele riu e riu e riu e ria Eu disse basta de filosofia A mim bastava que o prefeito desse um jeito Na cidade da Bahia


 

Fabio Malavoglia Na luz do raio Poema da Praça Ramos na trama do vale duro de asfalto onde habitamos problema para o futuro daquilo que aqui amamos na luz do raio o fulguro na gema que cinzelamos na pedra de uns versos puros da Fonte que desejamos

 

Mário de Andrade As Juvenilidades Auriverdes Nós somos as Juvenilidades Auriverdes! As franjadas flâmulas das bananeiras. As esmeraldas das araras. Os rubis dos colibris. Os lirismos dos sabiás e das jandaias. Os abacaxis, as mangas, os cajus Almejam localizar-se triunfantemente Na fremente celebração do Universal!... Nós somos as Juvenilidades Auriverdes As forças vivas do torrão natal, As ignorâncias iluminadas, Os novos sóis luscofuscolares, Entre os sublimes das dedicações!... Todos para a fraterna música do Universal! Nós somos as Juvenilidades Auriverdes!







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