top of page
  • Foto do escritorFábio Malavoglia

Ep. 55 - Sícilia ilha do Sol

Textos do Episódio


 

Virgílio Eneida, Canto I, versos 554 e 553 .......Sunt et Siculus regionibus urbes, Armaque, Trojanoque a sanguine clarus Acestes. Tradução de Carlos Alberto Nunes “Sim, na Sicília deixamos cidades e aliados de monta,

campos de lavras e o ínclito Acestes de sangue troiano.”

 

Virgílio Eneida, Canto V, versos 717 e 719 ......., et his habeant terris sine moenia fessi. Urbem apellabunt permisso nomine Acestam. Tradução de Carlos Alberto Nunes “Depois de tantas fadigas, construam a sua cidade

de nome Acesta, se Acestes a idéia aceitar da homenagem”

 

Virgílio Eneida, Canto V, versos 23 a 25 ...................................... Nec littora longe Fida reor fraterna Erycis, portusque Sicanus, Si modo rite memo servata remetior astra. Tradução de Carlos Alberto Nunes “.................... Não longe das praias estamos,

bem nossas, de Érix, teu mano, e dos portos da bela Sicília,

se é que ainda tenho presente o caminho que os astros indicam.”

 

Empédocles de Agrigento “Purificações” (abertura do poema) versão inglesa do original grego não identificada Friends who inhabit the mighty town by tawny Acragas

which crowns the citadel, caring for good deeds,

greetings; I, an immortal God, no longer mortal,

wander among you, honoured by all,

adorned with holy diadems and blooming garlands.

To whatever illustrious towns I go,

I am praised by men and women, and accompanied

by thousands, who thirst for deliverance,

some ask for prophecies, and some entreat,

for remedies against all kinds of disease. *** Tradução de Fabio Malavoglia Amigos que habitais a potente cidade dourada de Ácragas

coroada pela cidadela, cuidosos de nobres atos,

saudações. Eu, um Deus imortal, não mais mortal,

caminho entre vós, honrado por todos,

adornado de santos diademas e guirlandas floridas.

Em qualquer das ilustres cidades que eu vá,

sou louvado por homens e mulheres, e seguido

por milhares, que anseiam por libertação,

ou pedem por profecia, e alguns suplicam

as medicinas contra todos os tipos de males.

Alexandre, Conde de Cagliostro do Manuscrito d’A Santíssima Trinosofia (trecho) Tradução de Fabio Malavoglia sobre a edição francesa “La Très Sainte Trinosophie” - Édition intégrale du texte du manuscrit unique de la Bibliothèque de Troyes et des variantes des « Annales maçonniques » (1808), précédée d'une enquête bibliographique et historique par René Alleau, Paris, Denoël, 1971 Eis-me aqui: sou um nobre viajante; falo e vossa alma estremece ao reconhecer antigas palavras; uma voz, que está em vós e tinha se calado há muito tempo, responde à chamada da minha; atuo, e a paz regressa aos vossos corações, a saúde aos vossos corpos, a esperança e a coragem às vossas almas. Todos os homens são meus irmãos; todos os países me são gratos...

 

Giacomo da Lentini Sonetti - XXI - Si come il Sol

Sì come il sol che manda la sua spera

e passa per lo vetro e no lo parte,

e l’altro vetro che le donne spera,

che passa gli ochi e va da l’altra parte,


così l’Amore fere là ove spera

e mandavi lo dardo da sua parte:

fere in tal loco che l’omo non spera,

passa per gli ochi e lo core diparte.


Lo dardo de l’Amore là ove giunge,

da poi che dà feruta sì s’aprende

di foco c’arde dentro e fuor non pare;


e due cori insemora li giunge,

de l’arte de l’amore sì gli aprende,

e face l’uno e l’altro d’amor pare. *** Giacomo da Lentini Sonetos - XXI - Tal qual o Sol Tradução de Fabio Malavoglia

Tal qual o sol que manda sua esfera

e passa pelo vidro e não o parte,

é d’outro vidro o que a dama espera

passar os olhos, chegar a outra parte,


assim Amor que fere onde pudera

um dardo lança mandado de sua parte:

e fere o homem aonde não espera,

e passa os olhos e o coração reparte.


O dardo do Amor lá onde atinge,

depois de dar ferida eis se apercebe,

o fogo dentro arde e fora não repara;


e dois os corações ajunta e atinge,

por artes de amor que o par percebe,

que um ao outro n’amor são feitos para.

 

Luigi Pirandello Conversando Dunque la vita in fondo

stimate da lodare,

la macchina del mondo

ben congegnata, dottor mio, vi pare.

Sí, sí, non dico... Oh, specie certe scene

son fatte proprio bene.


Ho assistito a mirabili tramonti,

a incantevoli aurore,

rider queste dai monti,

quelli infoscarsi ai limiti del mare.


E che sbalzi di cuore!

Anzi talvolta quasi m ’è venuto

di battere le mani.

Poi mi son trattenuto.


Sarà lo stesso, sú per giú, dimani.

Questo il difetto, a parer mio, dottore:

poca varietà... sempre le stesse

cose... - e s ’annoja alfin lo spettatore. *** Luigi Pirandello Conversando tradução de Fabio Malavoglia

A vida então no fundo

merece seu louvor,

a maquina do mundo

bem composta lhe parece, meu doutor.

Sim, sim, não nego... De fato há certas cenas

que são bem feitas, plenas.

Sumos ocasos vi defronte,

e encantadoras auroras,

estas, a rir nos montes,

aqueles, a enevoar mar afora.

E como batia-me o coração!

Aliás às vezes quase estive

para aplaudir, num afã.

Depois me contive.

Vai ser igual, mais ou menos, amanhã.

Este é o defeito, a meu ver, doutor:

pouca variedade... sempre as mesmas

as coisas... - e ao fim se enjoa o espectador.

 

Salvatore Quasimodo

Ed è súbito sera Ognuno sta solo sul cuor della terra

trafitto da un raggio di Sole:

ed è subito sera. *** Salvatore Quasimodo

E de súbito é noite tradução de Fabio Malavoglia

Cada um está só sobre o peito da terra

Crivado num raio de Sol:

e de súbito é noite.

 

Salvatore Quasimodo

E la tua veste è bianca

Piegato hai il capo e mi guardi;

e la tua veste è bianca,

e un seno affiora dalla trina

sciolta sull’omero sinistro.


Mi supera la luce; trema,

e tocca le tue braccia nude.


Ti rivedo. Parole

avevi chiuse e rapide,

che mettevano cuore

nel peso d’una vita

che sapeva di circo.


Profonda la strada

su cui scendeva il vento

certe notti di marzo,

e ci svegliava ignoti

come la prima volta. *** Salvatore Quasimodo

E são tuas vestes brancas tradução de Fabio Malavoglia

Dobrada a testa me olhas

e são tuas vestes brancas,

e aflora um seio entre as rendas

soltas sobre teu ombro esquerdo.


Supera-me a luz; treme,

toca teus braços nus.


Revejo-te. Palavras

tinhas, ocultas velozes

que davam ânimo

ao peso de uma vida

com sabor de circo.


Era fundo o caminho

que o vento abria

certas noites de março,

a acordar-nos alheios

como na vez primeira.

 

Leonardo Sciascia

La Sicilia, il suo cuore


Come Chagall, vorrei cogliere questa terra

dentro l’immobile occhio del bue.

Non un lento carosello di immagini,

una raggiera di nostalgie: soltanto

queste nuvole accagliate,

i corvi che discendono lenti;

e le stoppie bruciate, i radi alberi,

che s’incidono come filigrane.

Un miope specchio di pena, un greve destino

di piogge: tanto lontana è l’estate

che qui distese la sua calda nudità

squamosa di luce – e tanto diverso

l’annuncio dell’autunno,

senza le voci della vendemmia.

Il silenzio è vorace sulle cose.

S’incrina, se il flauto di canna

tenta vena di suono: e una fonda paura dirama.

Gli antichi a questa luce non risero,

strozzata dalle nuvole, che geme

sui prati stenti, sui greti aspri,

nell’occhio melmoso delle fonti;

le ninfe inseguite

qui non si nascosero agli dèi; gli alberi

non nutrirono frutti agli eroi.

Qui la Sicilia ascolta la sua vita.

***


Leonardo Sciascia

A Sicília, o seu coração tradução de Fabio Malavoglia


Como Chagall, quis colher essa terra

dentro do imóvel olho do boi.

Não um lento carrossel de imagens,

iridescente de nostalgias: somente

estas nuvens coalhadas,

os corvos que descem lentos;

e a palha queimada, as árvores raras,

crivadas como filigranas.

Um míope espelho de dó, um grave destino

de chuvas: tão longínquo o estio

que aqui espraiou sua cálida nudez

escamosa de luz – e tão diverso

o anúncio do outono,

sem as vozes da vindima.

O silêncio é voraz sobre as coisas.

Irrita-se, caso a flauta de canas

tente a veia de um som: profundo o medo se derrama.

Os antigos a esta luz não riram,

esganada pelas nuvens, a gemer

nos prados estéreis, nos areais ásperos,

no olho lodoso das fontes;

as ninfas perseguidas

aqui não se esconderam dos deuses; as árvores

não ofertaram frutos aos heróis.

Aqui a Sicília escuta a sua vida.

 

Matthew Arnold from “Empedocles on Etna” (fragment) To the elements it came from

Everything will return.

Our bodies to earth,

Our blood to water,

Heat to fire,

Breath to air. *** Matthew Arnold

Do poema “Empédocles no Etna” (fragmento) tradução de Fabio Malavoglia Aos elementos donde vieram

Todas as coisas retornarão.

Nossos corpos para a terra,

Nosso sangue para a água,

O calor ao fogo,

Nosso sopro ao ar.

 


5 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comentarios


bottom of page